Comportamento

Porque é que o meu cão se atira a outros cães nos passeios?

Cão a puxar e a atirar-se à trela em direção a outro cão ao longe num passeio

O teu cão simpático e doce vê outro cão do outro lado da rua e de repente transforma-se num tornado que ladra, se atira e puxa a trela. É embaraçoso, stressante, e pode parecer que o teu cão está a ser agressivo. Na grande maioria dos casos, não está. Isto chama-se reatividade à trela, e perceber o que se passa mesmo é o primeiro passo para passeios mais calmos.

A reatividade é comum e muito trabalhável, mas exige a abordagem certa. Para um cão reativo, o melhor investimento é um treinador qualificado e sem força ou um comportamentalista veterinário que possa criar um plano para o teu cão em concreto. Este guia vai ajudar-te a perceber o comportamento e a geri-lo com gentileza entretanto.

Atirar-se raramente é agressividade

A maior parte dos puxões à trela é impulsionada por uma grande emoção sem saída, e costuma cair num de dois baldes:

  • Frustração. Muitos cães reativos na verdade morrem por cumprimentar. À trela não conseguem chegar ao outro cão, e essa empolgação frustrada transborda em latidos e puxões. São muitas vezes os cães que são perfeitamente simpáticos assim que se conhecem mesmo.
  • Medo. Outros cães atiram-se para fazer a coisa assustadora ir-se embora. A trela tira-lhes a capacidade de fugir, por isso fazem a única outra coisa que resulta: ficam grandes e ruidosos para criar distância. Parece agressivo, mas vem de se sentirem presos e assustados.

A própria trela é uma parte enorme do problema. Impede o teu cão de se afastar, de cumprimentar com naturalidade ou de usar a distância calmante que escolheria à solta. Essa frustração de barreira transforma um sentimento gerível numa explosão.

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Os cães frustrados tendem a puxar para a frente, choramingar e parecer ansiosos, por vezes com a cauda a abanar, e acalmam assim que chegam a cumprimentar. Os cães medrosos inclinam-se para trás ou ladram enquanto tentam recuar, e mostram muitas vezes o conjunto mais amplo de sinais de preocupação. Aprender a distingui-los ajuda, e os nossos guias sobre sinais de stress e medo e sobre o que o pelo arrepiado significa mesmo são úteis aqui. De qualquer forma, a emoção é real e o teu cão não te está a dar trabalho, está com dificuldades.

O que fazer no momento

O teu objetivo num passeio é manter o teu cão abaixo do limiar em que descarrila. Isso significa sobretudo gerir a distância.

  • Cria espaço. Assim que vires outro cão, aumenta a distância com calma. Muda de passeio, faz um arco ou põe-te atrás de um carro estacionado. Mais espaço é um cão mais calmo.
  • Chama a atenção dele cedo. Apanha o teu cão antes de ele fixar. Um nome alegre, petiscos espalhados pelo chão ou uma volta rápida na outra direção resulta muito melhor do que esperar.
  • Não castigues a reação. Dar puxões à trela, gritar ou ralhar acrescenta um mau sentimento à visão de outros cães e piora a reatividade com o tempo. Mantém a calma e simplesmente tira o teu cão dali.
  • Atenção à acumulação. Vários fatores de stress juntos empurram um cão para além do limite mais depressa, que é exatamente o que descreve o empilhamento de gatilhos. Num dia difícil, mantém os passeios curtos e fáceis.

Construir passeios mais calmos ao longo do tempo

A gestão mantém a tampa fechada. A mudança real vem de ensinar devagar ao teu cão um sentimento novo sobre outros cães. O método central é deixar o teu cão reparar noutro cão a uma distância confortável e depois dar algo maravilhoso, para que a aparição de um cão comece a prever coisas boas em vez de stress. Ao longo de muitas sessões, a uma distância que o teu cão aguenta, a resposta emocional suaviza-se. É simples na teoria e fácil de errar na prática, e é precisamente por isso que um treinador sem força vale a pena para a reatividade, e nalguns casos o teu veterinário pode achar que um apoio para a ansiedade também ajuda.

Sê paciente e gentil com o teu cão e contigo. A reatividade não é sinal de um cão mau nem de um dono falhado, é uma resposta emocional comum e tratável, e o progresso é bem possível com a ajuda certa. Aprender a ler o teu cão de perto torna tudo isto mais fácil, por isso leva a nossa folha de consulta da linguagem corporal canina gratuita para detetar os sinais precoces antes de o teu cão passar dos limites.

Perguntas frequentes

O meu cão está a ser agressivo quando se atira a outros cães à trela?

Normalmente não. A maior parte dos puxões à trela é reatividade impulsionada por frustração ou medo, não um desejo real de magoar. Os cães frustrados muitas vezes querem cumprimentar e não conseguem chegar ao outro cão, enquanto os medrosos tentam criar distância de algo que os preocupa. A trela tira-lhes as opções normais, por isso o sentimento sai como latidos e puxões. Parece alarmante mas raramente significa agressividade a sério.

Como impeço o meu cão de se atirar a outros cães nos passeios?

Começa pela distância. Vê os outros cães cedo, aumenta o espaço com calma antes de o teu cão fixar, e recompensa a atenção de volta em ti. Evita castigar a reação, já que acrescenta uma má associação e piora. Com o tempo, a solução duradoura é ensinar com gentileza ao teu cão que outros cães preveem coisas boas, feito a uma distância que ele aguenta, idealmente com um treinador qualificado e sem força a orientar o plano.

Porque é que o meu cão só reage a outros cães quando está à trela?

Porque a trela lhe tira as opções naturais. À solta, um cão pode afastar-se, cumprimentar ao seu ritmo ou usar distância calmante. À trela está preso, sem poder fugir nem aproximar-se, e essa frustração de barreira transforma um sentimento gerível numa grande reação. É por isso que muitos cães que se atiram à trela são perfeitamente sociáveis assim que se conhecem mesmo à solta.

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